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BLOG DO CARLOS EUGÊNIO | sábado, 20 de maio de 2017

Principais lideranças
políticas de Pernambuco, o governador Paulo Câmara e o prefeito do Recife,
Geraldo Julio, foram citados na delação do diretor da JBS Ricardo Saud, que
acusou ambos de “tratar da propina” paga ao PSB nas eleições de 2014 (confira o vídeo clicando AQUI). A
delação inclui o Palácio do Campo das Princesas em uma grave crise política e
deixa o governo sob forte pressão. Segundo Saud, a empresa também teria
favorecido o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), e o senador Fernando
Bezerra (PSB).

A relação da JBS com o PSB
teria começado com um acordo para investir R$ 15 milhões “de propina”
na campanha presidencial do ex­governador Eduardo Campos, em 2014. “No dia
que ele faleceu, eu estava com o Henrique, que era a pessoa dele que ele
mandava… Ou o Geraldo Julio, ou Paulo Câmara ou o Henrique para ir lá tratar
da propina”, delata Saud.

Parte do dinheiro teria sido
pago durante a candidatura presidencial, “por meio de notas fiscais
avulsas e em espécie”. Após o acidente que vitimou Eduardo, o diretor da
JBS diz ter sido procurado por Geraldo pedindo que a empresa honrasse o acordo
porque era preciso que Paulo vencesse a eleição estadual. A princípio, a
companhia queria desembolsar apenas o valor combinado.

“Nós chegamos ao meio
termo que íamos pagar para não atrapalhar a campanha do Paulo Câmara. E ainda
dar uma propina para o Paulo Câmara em dinheiro vivo lá em Pernambuco”,
conta o delator. Além disso, a JBS afirma ter destinado R$ 1 milhão a Arcos
Propaganda, que teria sido apresentada pelo candidato ao Senado. “O
Fernando Bezerra foi beneficiado. Essa nota fiscal aqui de R$ 1 milhão foi para
ele”, afirma Saud.

Não constam pagamentos
declarados da JBS nas prestações das campanhas de Paulo Câmara e Fernando
Bezerra Coelho em 2014. De forma oficial, a empresa doou R$ 3,5 milhões para a
campanha de Campos. Outros R$ 2,2 milhões foram destinados ao Diretório
Nacional do PSB, que repassou os valores para a chapa presidencial, para o PSB­SP
e para a campanha de Lídice da Mata ao governo da Bahia.


O esquema da JBS é descrito
por Saud como um “reservatório de boa vontade”. “Não houve
negociação, não houve promessa, não houve ato de ofício. Vírgula. Que se ele
fosse crescendo nas pesquisas com chance de ganhar, a gente ia fazer aquele
mesmo investimento que nós fizemos no Aécio e depois ficaria uma conta corrente
para ser quitada”, explica.

A Bruno Araújo, Saud diz ter
dado R$ 200 mil em espécie. A cifra teria sido entregue ao tucano em mãos, no
Recife, por André Gustavo Vieira. Na Justiça Eleitoral não há registro da JBS
como doadora da campanha do ministro. “Não pedimos nada para ele. Na
verdade, é pro cara não chatear, nem atrapalhar”, explicou o delator.

POLÍTICOS REPUDIAM ACUSAÇÕES: Em nota, o governador Paulo Câmara
repudiou a denúncia de recebimento de propina na campanha de 2014. “Nunca
solicitei e nem recebi recursos de qualquer empresa em troca de favores”,
afirma no texto, em que diz não ter recebido nenhuma doação da empresa.
“Tenho uma vida dedicada ao serviço público. Sou um homem de classe média,
que vivo do meu salário”, disse, garantindo que todas as doações feitas a
sua campanha seguiram a lei, foram registradas e aprovadas pela Justiça
Eleitoral.

Como o delator afirma que nas
doações não houve negociação ou promessa de ato de ofício, o governador
defendeu em seu texto que nunca houve qualquer compromisso de troca de favores
ou benefícios e questionou o uso do termo “propina”, embora a palavra
tenha sido citada mais de uma vez pelo delator Ricardo Saud para se referir ao
dinheiro repassado aos políticos do PSB.

O prefeito Geraldo Julio
repudiou as acusações e disse nunca ter tratado de recursos ilegais com a JBS
ou com qualquer outra empresa. “O próprio documento divulgado pela Justiça
registra que as doações feitas à campanha nacional do PSB não foram por troca
de favores. Todas as doações recebidas pelo partido foram legais”,
escreveu.

O advogado de FBC, André Luiz
Callegari, divulgou uma nota em que afirma que “todas as doações para a
campanha do senador foram devidamente declaradas e aprovadas pela Justiça
Eleitoral”. A defesa afirmou ainda que não teve acesso aos autos e que
“repudia as declarações unilaterais divulgadas e ratifica que elas não
correspondem à verdade”.

A assessoria de imprensa do
ministro Bruno Araújo foi procurada e ressaltou que, no trecho em que cita o
PSDB, o delator fala em “doação oficial”. O ministro, porém, não
divulgou nota oficial, nem se manifestou sobre as acusações da JBS.

OPINIÃO DO JORNALISTA – “Aliados do governador Paulo Câmara (PSB)
comentavam, ontem pela manhã, que o socialista poderia se beneficiar da crise
que atingiu o governo Michel Temer (PMDB). Com o provável fim da gestão,
cairiam os ministros Mendonça Filho (Educação, DEM) e Bruno Araújo (Cidades,
PSDB) e assim o socialista entraria na eleição de 2018 com menos dois rivais
para se preocupar.

A avaliação não tardou em
ficar velha uma vez que o governador também se tornou alvo de uma delação
premiada, com o nome envolvido em uma suposta propina. Ainda há muita estrada
até a eleição de 2018 e é cedo para dizer se a delação da JBS vai atrapalhar de
alguma maneira a campanha de Paulo Câmara à reeleição, mas com certeza já dá
para cravar que a estratégia dos socialistas irá mudar de agora em diante
porque o discurso de que é preciso passar o País a limpo já não vai soar tão
cristalino quanto antes.



Na última quinta, em vídeo
gravado no Palácio do Campo das Princesas, Paulo Câmara disse que “o
presidente precisa dar explicações à nação”. Em menos de 24 horas, porém,
o governador deixou de ser pedra e virou mais uma das muitas vidraças trincadas
da política no Brasil”.
(Franco Benites –
Coluna Pinga Fogo – JC, de 20/05/2017)




Com informações, vídeo e imagens do Jornal do Commercio. CONFIRA