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domingo, 06 de dezembro de 2020

Confira a Análise do Jornalista
Igor
Maciel
, do Jornal
do Commercio:

“Depois que Rodrigo Maia (DEM)
acenou para a possibilidade de uma aliança ao centro, com partidos como o PSB,
e citou Paulo Câmara (PSB) como opção para formar uma chapa presidencial, muita
gente se perguntou o que um Deputado de baixa popularidade do Rio de Janeiro e
um Governador impopular de Pernambuco fariam juntos.


A resposta: muita coisa, mas nem
tão juntos. A declaração de Rodrigo Maia, que pode ter cara de bobo, mas não é
nem um pouco, tem objetivos de curto e de médio prazo. No curto prazo, está
fazendo acenos ao PSB, através do governador de PE, buscando apoio para a
reeleição como presidente da Câmara Federal. Paulo Câmara pode ter alta
rejeição no Estado, mas também tem influência sobre a bancada do PSB de PE. O
PSB de Pernambuco, aliás, é o mais forte entre os socialistas, com cinco
deputados, contra quatro de SP. Atualmente, a liderança do partido na Câmara é
de Alessandro Molon (PSB-RJ), mas isso deve mudar em breve, quando o
pernambucano Danilo Cabral (PSB-PE) assume.

A receita é simples: quer atrair
o PSB nacional? Agrade a Pernambuco. Essa hegemonia pernambucana é uma
herança de Miguel Arraes e Eduardo Campos que até sofreu abalos, quando Márcio
França (PSB) foi governador de SP. Mas, em 2020, com a derrota dele para a
prefeitura paulistana, estabilizou-se.


Pernambuco manda. Ainda nesse
cenário, Paulo Câmara é vice-presidente nacional do PSB. Os 31 votos dos
socialistas são muito importantes na guerra de Maia para seguir presidindo a
Casa. Outro gesto que ele dá em direção à esquerda é a crítica a Bolsonaro e
aos bolsonaristas, com os relatos de todas as ameaças que ele e a família
sofreram nos últimos dois anos. No fim, Maia quer articular uma frente ampla
com partidos de centro, tanto da esquerda quanto da direita. O DEM tem
parcerias sólidas com o PDT, por exemplo, em alguns estados. Agora, quer trazer
o PSB para a plataforma.

Depois de reeleito para a
presidência da Câmara, vem o objetivo de médio prazo: encontrar um Vice, de
esquerda, moderado, para Luciano Huck. Sim, Maia trabalha com a possibilidade
concreta de candidatura do apresentador Luciano Huck pelo DEM e quer alguém
para compor a chapa, dando força e equilíbrio. Mesmo que, no futuro, o vice
não seja o pernambucano, para entender o movimento de Maia, é
preciso esquecer Pernambuco e a rejeição de Câmara, olhar o
governador com olhos de “estrangeiro”, de forma pragmática.


Ele é discreto, jovem, passa
longe de ser radical, representa o PSB nacionalmente, é responsável, mantém as
finanças do Estado em ordem e, a despeito das pesquisas de popularidade atuais,
ganhou duas eleições no 1º turno, em 2014 e 2018. Huck já é muito popular,
precisa de um vice discreto. Mesmo que seja muito difícil imaginar que isso
venha a acontecer, e realmente é, Paulo encaixaria. Mesmo não sendo o nome, o
gesto indica que o DEM está disposto a negociar uma indicação. Como isso aconteceria
ainda é muito difícil dizer. Mas o PSB está sendo cortejado, para hoje e para o
futuro”. (Com informações da Cena Política/JC. CONFIRA)

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