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domingo, 20 de junho de 2021

O Grupo Globo divulgou nesse sábado,
dia 19, um editorial a
respeito das 500 mil mortes por COVID-19 no Brasil. Lido no final Jornal Nacional pelos
apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos, o texto não menciona o nome
de autoridades, mas de maneira indireta se dirigiu ao presidente Jair
Bolsonaro.

“É
evidente que foram muitos – e muito graves – os erros cometidos. Eles estão documentados
por entrevistas, declarações, atitudes, manifestações”, disse à TV
Globo em seu principal telejornal. “A aposta insistente e teimosa em remédios sem
eficácia, o estímulo frequente a aglomerações, a postura negacionista e
inconsequente de não usar máscaras e, o pior, a recusa em assinar contratos para
a compra de vacinas a tempo de evitar ainda mais vítimas fatais”, registrou
o Jornal Nacional, num claro registro as ações do Presidente da República ao
longo desta Pandemia.

O editorial também citou a CPI
da COVID, no Senado, e afirma que as “responsabilidades”
estão sendo apuradas. E sentencia: “Haverá consequências”.
No final do programa, em seguida à leitura do editorial, o Jornal Nacional foi encerrado
em silêncio, como tem sido a prática quando há números redondos de mortes por COVID-19. O Governo Federal e o Presidente Jair Bolsonaro ainda não comentaram as posições defendidas pelo Grupo Globo em seu Editorial. Confira a Integra do Editorial clicando AQUI ou clicando em player no Vídeo
abaixo:

ÍNTEGRA DO EDITORIAL DO
GRUPO GLOBO
 

Eis a íntegra do editorial
lido em jogral pelos apresentadores do Jornal Nacional, William Bonner e Renata
Vasconcellos:
 

“Em agosto de 2020, quando o
Brasil ultrapassou o registro escandaloso de 100 mil mortes pela Covid, o
Jornal Nacional se manifestou sobre essa tragédia num editorial. Parecia que o
país tinha superado um limite inalcançável, 100 mil mortos. Neste sábado (19),
são 500 mil. Meio milhão de vidas brasileiras perdidas. 
 

“O sentimento é de horror e de
uma solidariedade incondicional às famílias dessas vítimas. São milhões de
cidadãos enlutados. 
 

“Hoje, é evidente que foram
muitos –e muito graves– os erros cometidos. Eles estão documentados por
entrevistas, declarações, atitudes, manifestações. 
 

“A aposta insistente e teimosa
em remédios sem eficácia, o estímulo frequente a aglomerações, a postura
negacionista e inconsequente de não usar máscaras e, o pior, a recusa em
assinar contratos para a compra de vacinas a tempo de evitar ainda mais vítimas
fatais. 
 

“No editorial que marcou as
100 mil mortes, nós dissemos que era preciso apurar de quem é a culpa. Dissemos
textualmente que esse momento chegaria. 
 

“Desde o início de maio, o
Senado está investigando responsabilidades. Haverá consequências. E a mais
básica será a de ter levado ao povo brasileiro o conhecimento sobre como e por
que se chegou até aqui. 
 

“Quando todos nós olharmos
para trás, quando nos perguntarem o que fizemos para ajudar a evitar essa
tragédia, cada um de nós terá a sua resposta. A esmagadora maioria vai poder
dizer, com honestidade e com orgulho, que fez de tudo, fez a sua parte e mais
um pouco. 
 

“Nós, do Jornalismo da Globo,
estamos há um ano e meio, com base na ciência, cumprindo o nosso dever de
informar, sem meias palavras. Muitas vezes nós pagamos um preço por isso, com
incompreensões de grupos que são minoritários, mas barulhentos. Não importa.
Nós seguimos em frente, sem concessões. E seguiremos em frente, sem
concessões. 
 

“Porque tudo tem vários ângulos
e todos devem ser sempre acolhidos para discussão. Mas há exceções. Quando
estão em perigo coisas tão importantes como o direito à saúde, por exemplo. Ou
o direito de viver numa democracia. Em casos assim, não há dois lados. E é esse
o norte que o Jornalismo da Globo continuará a seguir”.