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domingo, 20 de junho de 2021

Por Fernando Castilho –
Coluna JC Negócios/JC:  
 

“Chegar a 500 mil mortos
como o Brasil chegou neste sábado significa ao menos 5 milhões de pessoas que
precisaram prantear seus mortos sem ao menos se despedir deles dignamente.

As cerimonias têm tido
um choro contido. Porque em sua maioria vêm depois de uma internação na medida
em que eles precisaram levá-los a um hospital sabendo de alguém conhecido que
não voltou. Eles precisaram conviver com pessoas desconhecidas nas proximidades
dos hospitais. Por que o isolamento que o tratamento exige que fiquem à distância.
Não é fácil enterrar um parente depois de uma chamada de vídeo em que ele
despede antes de ser entubado. Marca. Dói e revolta porque em todos os casos
fica a indignação.

Morrer faz parte da
vida. Mas morrer por falta de remédios para tratar o paciente não fere apenas a
família, machuca os Médicos. Mais ainda porque como a maioria ficou dentro de
alas de hospitais por várias semanas, enfermeiros, médicos e auxiliares
transformaram-se numa nova família. E eles, também choram a perda de
pacientes-amigos. O que mais machuca nesses profissionais é que o
procedimento da COVID-19 os obriga se tornarem-se responsáveis por movimentos
mínimos dessas pessoas. E entregá-los aos responsáveis pelos procedimentos
funerários, faz com que esses gestos técnicos sejam a despedida de uma pessoa
que conheceram e tornaram-se sua família.

A COVID-19 potencializa
sofrimentos dentro e fora dos hospitais. Bate na família dos profissionais de
saúde que também enterraram colegas e familiares. Por isso a marca de 500 mil
mortes leva a que ao menos 5 milhões de pessoas se lembrem seus parentes e
desses novos parentes.
 

Dói. Mais ainda quando
se desdenha até de vacinas. 
E por isso vem o
sentimento de revolta quando não veem gestos do Presidente. E isso nos
diferencia dos demais países. E isso nos fará ser diferente nos próximos anos.
Nos envergonhando é claro.

E bastava apenas uma
palavra sincera de respeito. Seria suficiente apenas um gesto em que fosse
possível perceber respeito.  Mas eles não terão isso. Não está na sua
personalidade. O Presidente precificou a Pandemia. Ele avalia, e já disse isso,
que as mortes estão dentro do quadro previsível.

O Presidente prefere
concentrar suas atenções numa estratégia de distribuição de medicamentos que
ele tem absoluta certeza de que salvaram vida. O Presidente e alguns de seus
auxiliares dormem certos de que salvaram milhares de vida com essa medicação.
Não mudarão de opinião. Já sabem que podemos chegar aos 600 mil e aos 20
milhões de infectados ainda em agosto. Mas acreditam que a vacinação os salvará
das críticas até o final do ano.

O Presidente continuará
pensando desse jeito. Levará essa concepção para o resto de seus dias. E ele
vai radicalizar nessa concepção. Jair Bolsonaro acredita que está salvando o
Brasil. Ele tem certeza de que fez uma boa gestão da Pandemia e se conforma com
o discurso de que não fez mais porque o Supremo Tribunal Federal o impediu de
desenvolver uma estratégia que mirava a contaminação de toda a população em
pouco tempo chegando a uma imunidade geral.
 

O Brasil caminha para
10% seus cidadãos contaminados e até 3% de mortes chegando a 660 mil óbitos. É
possível que tenhamos de tratar 6% dos brasileiros em hospitais algo como 6.6
milhões de pessoas. Para o presidente e alguns auxiliares é previsível e está
dentro do que considera danos colaterais da parada a economia que julga estar
defendendo. Ele também acredita que a campanha de vacinação o isenta de mais
responsabilidades e que ao final do ano quando o País poderá ter vacinado sua
população ele será reconhecido.
 


O Presidente dorme bem.
E tranquilo. Na verdade, a única coisa que pode lhe tirar o sono seria a
impossibilidade de um segundo mandato. Não mudará de opinião. Seja 500 mil ou
660 mil não mudará sua opinião”.
(Com informações do JC Online. CONFIRA)