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sábado, 28 de março de 2020

 
Após videoconferência
realizada nessa sexta-feira, dia 27 – a segunda da
semana
 – os governadores do Nordeste divulgaram uma nova carta
manifestando indignação com a postura do governo do presidente Jair Bolsonaro
(sem partido) em contrariar recomendações de entidades reconhecidas na área da
saúde em relação ao Novo
Coronavírus (COVID-19)
, ao defender a flexibilização do
isolamento social. 
A relação entre o Presidente e
os Governadores começou a  ficar mais crítica após pronunciamento
de Bolsonaro em rede nacional na última terça-feira, dia 24, quando o Presidente
afirmou que os governadores deveriam “abandonar o conceito de terra arrasada”
devido a proibição da abertura de estabelecimentos comerciais e escolas adotada
nos estados. 

Em reação, os Governadores também criticam a campanha
lançada pelo Governo Federal intitulada 
“Brasil
não pode parar”
, que incentiva a população a voltar a circular
nas ruas. “(O governo federal) promove campanha de comunicação
no sentido contrário, estimulando, inclusive, carreatas por todo o país
contra a quarentena. Este tipo de iniciativa representa um
verdadeiro atentado à vida”, diz trecho da carta. 

Os nove gestores
ressaltaram que continuarão avançando na integração regional, apesar
da “ausência de efetiva coordenação nacional, que deveria ser
assumida pelo Governo Federal”, e dizem acreditar no “poder
decisivo” do Congresso Nacional no momento. Eles garantiram que
permanecerão agindo de acordo com a “ciência e pela experiência
nacional”, na tomada de decisões contra o Coronavírus, através
principalmente da Organização Mundial da Saúde. Leia a íntegra da carta dos Governadores
do Nordeste Clicando AQUI.
(Com informações de Luisa Farias/JC. CONFIRA)


Nós, governadores do Nordeste,
em videoconferência realizada neste dia 27 de março, assim
nos manifestamos:
1) Com bom senso e equilíbrio,
vamos continuar orientados pela ciência e pela experiência mundial, para
nortear todas as medidas, diariamente avaliadas, nesta guerra travada
contra o Coronavírus. Reiteramos que parâmetros científicos indicam as ações
preventivas e protetivas, de intensidade gradual e estágios progressivos
ou regressivos, adequando-as sempre à realidade de cada região de nossos
Estados;
2) Na ausência de efetiva
coordenação nacional, que deveria ser assumida pelo Governo Federal, em
articulação com os demais entes federativos, buscaremos avançar na
integração regional e com as demais regiões, mobilizados pelo objetivo de
salvar vidas e amenizar os impactos negativos sobre a economia dos
estados. Acreditamos também que o Congresso Nacional tem papel decisivo no
atual momento da vida brasileira; 
3) Dispostos a fortalecer o
embasamento de cada uma das nossas medidas, já construído sobre as bases
apresentadas pela OMS, solicitaremos um pronunciamento oficial do Conselho
Federal de Medicina, do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde
e da Sociedade Brasileira de Infectologia, além do acompanhamento e
orientação do Ministério Público Federal e do Ministério Público dos
Estados; 
4) Manifestamos nossa profunda
indignação com a postura do Governo Federal, que contraria a orientação de
entidades de reconhecida respeitabilidade, como a OMS – que indicam o
isolamento social como melhor forma de conter o avanço do Coronavírus -,
e promove campanha de  comunicação no sentido contrário, estimulando,
inclusive, carreatas por todo o país contra a quarentena. Este tipo de
iniciativa representa um verdadeiro atentado à vida;
5) De nossa parte, exigimos
respeito por parte da Presidência da República, esperando que cessem,
imediatamente, as agressões contra os governadores, assumindo-se
um posicionamento institucional, com seriedade, sobre medidas preventivas.
A omissão em padronizar normas nacionais e a insistência em provocar
conflitos impedem a unidade em favor da saúde pública. Assim agindo,
expõe-se a vida da população, além de assumir graves riscos no tocante à
responsabilidade política, administrativa e jurídica;
6) Enfatizamos que sempre
estaremos abertos ao diálogo, neste esforço que precisa ser coletivo,
tendo como meta a superação da ameaça representada por esta doença,
que continua matando milhares de pessoas. Temos absoluta convicção de que
o diálogo, o equilíbrio e a união serão sempre o melhor caminho para
revertermos este quadro crítico. Seguimos firmes e vigilantes em defesa da
vida das pessoas, inclusive na luta para impedir atos que possam
significar riscos à saúde pública.
Assinam esta carta:
Rui Costa – Governador da Bahia
Renan Filho – Governador de Alagoas
Camilo Santana – Governador do Ceará
Flávio Dino – Governador do Maranhão
João Azevedo – Governador da Paraíba
Paulo Câmara – Governador de Pernambuco
Wellington Dias – Governador do Piauí
Fátima Bezerra – Governadora do Rio Grande do Norte
Belivaldo Chagas – Governador de Sergipe